| abril 27, 2026 |
A Reforma Tributária trouxe mudanças profundas para o cenário empresarial brasileiro e, ao contrário do que muitos pensavam, o Simples Nacional não ficou de fora. Com a publicação da Resolução CGSN nº 186/2026 e da LC 214/2025, as regras do jogo mudaram para 2027.
A principal mensagem para o empreendedor é clara: o Simples deixou de ser automático e passou a exigir uma decisão estratégica.
Se antes bastava manter o enquadramento, agora a empresa deverá manifestar sua opção de forma planejada.
Período de Opção para 2027: De 01 a 30 de setembro de 2026.
Prazo para Cancelamento: Até novembro de 2026.
Início dos Efeitos: 01 de janeiro de 2027.
Empresas novas (Out-Dez/2026): Para empresas abertas no último trimestre de 2026, a regra de setembro não se aplica. A opção será feita no momento da inscrição do CNPJ, com validade imediata.
Uma das maiores novidades é a possibilidade de operar no que o mercado contábil está chamando de Modelo Híbrido. Nele, a empresa pode optar por manter parte dos impostos no Simples e parte fora.
Dentro do DAS: Tributos como IRPJ, CSLL e CPP continuam sendo recolhidos na guia unificada.
IBS e CBS por fora: A empresa pode optar por apurar o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) pelo regime regular.
A escolha entre manter o IBS/CBS dentro ou fora da guia única (DAS) depende do seu modelo de negócio:
Dentro do DAS: Mantém a simplicidade burocrática, porém não permite o aproveitamento integral de crédito tributário.
Fora do DAS: Segue o regime regular. Embora mais complexo, permite a geração de crédito para seus clientes, o que pode ser um diferencial competitivo gigante.
A decisão estratégica de 2027 deve ser guiada por quem é o seu cliente:
B2C (Consumidor Final): Se você vende para o público em geral, a tendência é manter a simplicidade dentro do DAS, já que o preço final costuma embutir o imposto e o consumidor não aproveita créditos.
B2B (Empresas): Se você vende para outras empresas, o impacto é maior. Seus clientes podem exigir que você esteja fora do DAS para que eles possam creditar os impostos da compra. Não se planejar aqui pode significar perda de contratos e competitividade.
A escolha que você fará em setembro de 2026 afetará diretamente a saúde financeira do seu negócio em 2027. Uma decisão errada pode:
Aumentar desnecessariamente sua carga tributária;
Reduzir sua margem de lucro;
Afetar o preço final do seu produto ou serviço;
Tornar sua empresa menos competitiva perante o mercado.
O Simples Nacional não acabou, mas ele se tornou complexo. O maior risco para o empresário não é a Reforma Tributária em si, mas sim entrar em 2027 sem um planejamento tributário sólido.
Base legal: LC 214/2025 e Resolução CGSN nº 186/2026.