| julho 3, 2026 |
Por Rodrigo Valadão, contador, perito contábil e sócio da Dinastia Contábil
Muitos empresários, ao contratar um colaborador CLT, olham apenas para o salário combinado na carteira.
Mas, na prática, o custo de um funcionário para a empresa vai muito além do salário mensal.
Além da remuneração paga ao colaborador, a empresa precisa considerar encargos trabalhistas e previdenciários, provisões para 13º salário, férias, adicional constitucional de 1/3, FGTS, INSS Patronal, RAT e contribuições para terceiros.
Por isso, antes de contratar, é fundamental entender o custo real dessa contratação para o caixa da empresa.
O exemplo utilizado
Para facilitar o entendimento, vamos usar um exemplo simples.
Imagine uma empresa tributada pelo Lucro Presumido, contratando um colaborador CLT com salário-base mensal de R$ 5.000,00.
Neste exemplo, estamos considerando uma situação sem dependentes, sem vale-transporte, sem horas extras, sem adicionais, sem benefícios e sem outras verbas não salariais.
Ou seja: trata-se de um cenário básico, apenas para demonstrar como os encargos e provisões impactam no custo final.
O custo mensal para a empresa
O primeiro ponto que o empresário precisa entender é que o salário de R$ 5.000,00 não representa o custo total mensal da contratação.
Sobre esse valor, a empresa ainda precisa arcar com encargos mensais.
Neste exemplo, os encargos considerados são:
INSS Patronal: 20%
FGTS: 8%
RAT: 2%
Terceiros: 5,8%
Somados, esses encargos representam 35,8% sobre o salário-base.
Na prática, sobre um salário de R$ 5.000,00, a empresa teria aproximadamente R$ 1.790,00 de encargos mensais.
Com isso, o custo mensal para manter esse colaborador passa a ser de aproximadamente:
R$ 6.790,00 por mês
Esse valor ainda não considera 13º salário, férias e demais provisões anuais.
As provisões trabalhistas também precisam entrar na conta
Um erro muito comum é olhar apenas para o custo mensal e esquecer das provisões anuais.
A empresa precisa se preparar para pagar o 13º salário, as férias, o adicional de 1/3 de férias e os encargos incidentes sobre essas verbas.
No exemplo apresentado, as provisões e encargos anuais chegam a aproximadamente:
R$ 15.843,33 por ano
Esse valor precisa ser considerado no planejamento financeiro da empresa, porque, mesmo não sendo pago todos os meses diretamente ao colaborador, ele representa uma obrigação que vai aparecer ao longo do ano.
Então, quanto custa esse colaborador por ano?
Agora vamos juntar tudo.
Se o custo mensal para a empresa é de R$ 6.790,00, em 12 meses esse valor representa:
R$ 81.480,00
Somando as provisões e encargos anuais de aproximadamente R$ 15.843,33, chegamos ao custo efetivo anual:
R$ 97.323,33
Ou seja, para manter um colaborador com salário-base de R$ 5.000,00, a empresa pode investir quase R$ 100 mil por ano.
Quanto chega efetivamente ao colaborador?
Outro ponto importante é entender que o custo da empresa e o valor líquido recebido pelo colaborador são coisas diferentes.
No exemplo apresentado, considerando salário, 13º salário, férias e adicional de 1/3, o valor líquido anual que chega ao colaborador é de aproximadamente:
R$ 59.979,87
Já o custo efetivo anual da empresa é de aproximadamente:
R$ 97.323,33
A diferença entre esses valores é de cerca de:
R$ 37.343,46
Essa diferença representa encargos, impostos, provisões e retenções envolvidos na contratação.
Por que essa informação é importante?
Entender o custo real de um colaborador é essencial para a empresa tomar decisões com segurança.
Quando o empresário conhece apenas o salário combinado, ele pode acreditar que a contratação custa menos do que realmente custa.
Mas, quando todos os encargos e provisões são considerados, fica mais claro o impacto dessa contratação no fluxo de caixa.
Esse cuidado ajuda a empresa a:
planejar melhor as contratações;
evitar desequilíbrio financeiro;
precificar corretamente seus serviços ou produtos;
avaliar a viabilidade de novos cargos;
organizar provisões trabalhistas;
evitar surpresas com folha de pagamento.
Atenção: cada empresa pode ter uma realidade diferente
Os percentuais utilizados neste exemplo são ilustrativos e podem variar conforme a atividade da empresa, CNAE, FPAS, FAP, RAT, convenção coletiva, benefícios concedidos e particularidades de cada contratação.
Além disso, este exemplo não considera custos como vale-transporte, vale-alimentação, plano de saúde, plano odontológico, bônus, comissões, horas extras, adicionais, afastamentos, rescisões e outros reflexos trabalhistas.
Por isso, antes de contratar, o ideal é fazer uma simulação personalizada para a realidade da empresa.
Conclusão
Contratar um colaborador CLT envolve muito mais do que pagar o salário mensal.
No exemplo analisado, um salário-base de R$ 5.000,00 pode representar um custo anual aproximado de R$ 97.323,33 para a empresa.
Esse número mostra a importância de fazer planejamento antes da contratação.
A folha de pagamento precisa ser vista como parte da estratégia financeira da empresa, e não apenas como uma obrigação mensal.
Com orientação contábil adequada, o empresário consegue contratar com mais segurança, prever os custos corretamente e evitar surpresas no caixa.
A Dinastia Contábil pode ajudar sua empresa a entender o custo real da folha, planejar contratações e tomar decisões com mais clareza.
Informação clara. Decisão segura.