| março 26, 2026 |
Por Rodrigo Valadão, contador, perito contador e sócio do escritório Dinastia Contábil.
A Reforma Tributária traz duas siglas que já estão no radar de empresários e contadores: IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Esses novos tributos prometem simplificar o sistema, mas também exigem adaptação rápida das empresas.
Neste artigo, você vai entender o que muda na prática e como se preparar para esse novo cenário tributário em 2026.
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A principal mudança não está apenas na substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, mas na forma como o imposto é calculado. O IBS e a CBS seguem o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), o que significa que a tributação passa a ser não cumulativa. Na prática, isso permite que empresas aproveitem créditos sobre impostos pagos em etapas anteriores da cadeia.
Esse modelo tende a reduzir o efeito cascata, mas também exige mais controle sobre custos, notas fiscais e operações. Empresas que não tiverem organização fiscal e processos bem estruturados podem acabar pagando mais imposto simplesmente por não aproveitarem corretamente esses créditos.
Outro ponto importante é a mudança da tributação da origem para o destino. Isso significa que o imposto será recolhido no local onde ocorre o consumo. Para muitas empresas, especialmente aquelas que vendem para diferentes estados ou municípios, essa mudança pode impactar diretamente a formação de preços e a estratégia comercial.
Além disso, a tendência é reduzir a chamada guerra fiscal entre estados, o que pode alterar a competitividade de determinadas regiões ao longo do tempo.
Nem todos sentirão os efeitos da mesma forma. Empresas do comércio e da indústria, que possuem cadeias produtivas mais longas e maior volume de insumos, tendem a se beneficiar do modelo de créditos. Isso porque conseguem recuperar parte relevante do imposto pago nas etapas anteriores.
Por outro lado, empresas de serviços e profissionais liberais — como médicos, advogados, arquitetos e consultores — podem enfrentar um cenário mais desafiador. Como geralmente possuem menos insumos tributáveis, o volume de créditos é menor, o que pode resultar em aumento da carga tributária efetiva.
Esse ponto exige atenção especial, já que muitos desses profissionais hoje operam com estruturas mais enxutas e regimes simplificados.
Mais do que entender a teoria, o grande diferencial estará na capacidade de adaptação. O novo modelo exige integração de sistemas, revisão de processos e uma visão mais estratégica da tributação.
Empresas precisarão acompanhar com mais precisão seus custos, revisar contratos, avaliar fornecedores e, principalmente, investir em gestão fiscal. Já os profissionais liberais devem analisar com cuidado seu regime tributário e considerar possíveis mudanças para manter a competitividade.
Conclusão
O IBS e a CBS representam uma mudança estrutural que vai muito além da simplificação prometida. Eles trazem um novo jeito de calcular, pagar e gerenciar impostos. Quem entender essa lógica e se preparar desde agora terá mais controle sobre sua carga tributária e mais chances de crescer com segurança no novo cenário.
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